NATURALMENTE NATURISTA


APONTAMENTOS SOBRE O NATURISMO

A prática naturista é verdadeiramente ancestral.
Contudo, só nas sociedades modernas, e sobretudo na Europa do pós guerra, surgiu com maior acuidade e equidade a necessidade de se organizarem clubes e associações naturistas. É assim que, em países como a Alemanha, a França, a Inglaterra, entre muitos outros, surgem os primeiros núcleos do Naturismo Organizado, dando origem à criação de Federações Nacionais, agrupadas a partir de 1953 na INF/FNI - Federação Naturista Internacional. A INF/FNI conta hoje com 32 federações em outros tantos países e em todos os continentes, além de uma dezena de correspondentes em países onde a fraca representatividade ainda não permite ter uma organização adequada. Este movimento associativo acabou por transbordar para a sociedade em geral, levando à criação de grandes centros de lazer naturistas. Em Espanha, o número de parques de campismo, hotéis e apartamentos ultrapassa já as duas dezenas. Da França, que conta já com cerca de 200, ao Brasil, passando pelas Caraíbas, o Guia Mundial de Centros Naturistas editado pela INF/FNI descreve cerca de 800 centros por todo o Mundo. A federação internacional reúne-se em congresso de 2 em 2 anos, tendo em 1974, em Cap d'Agde, adoptado a definição de naturismo que ainda hoje prevalece:

"O Naturismo é uma forma de vida em harmonia com a natureza, caracterizada pela prática da nudez colectiva, no propósito de favorecer o respeito por si mesmo, o respeito pelos outros e pelo meio ambiente."

Em Portugal, só no pós 25 de Abril surge este movimento de forma organizada. A FPN - Federação Portuguesa de Naturismo nasce, assim, em 1 de Março de 1977, tendo visto os seus Estatutos publicados no Diário da República em 1 de Julho desse mesmo ano (nº150 - III Série). É assim que a FPN comemora em 2002 o seu 25º Aniversário, tendo conseguido ao longo desses anos, com altos e baixos, que o Parlamento Português reconhecesse ao Naturismo (Lei 29/94, actualmente em vigor), uma existência legal, na sequência da qual foram legalizadas 4 praias, estando outros processos em preparação. De igual forma Portugal conta agora com 2 parques de campismo - um (parcial) com zona reservada a naturistas e outro totalmente naturista. A FPN prossegue o seu trabalho de divulgação do Naturismo também como uma forma de produção de valores dirigidos ao Homem, de forma integral e integrada, promovendo a harmonia pessoal e social, o respeito mútuo, o respeito pelo meio ambiente e equilíbrio ecológico, elevando os valores humanistas cada vez mais ausentes da sociedade e naturalmente dignificando o homem, dignificando a nudez. O Naturismo surge, assim, como a forma mais natural de viver em forma. Integralmente. Sem subterfúgios. Aceitando-se a si mesmo, tal como é, e aceitando de forma natural e igual os outros. Quem pratica a nudez colectiva assume-se por inteiro e sem complexos. Liberto de falsos pudores, de uma moral hipócrita e dualista, imposta e nunca explicada. No meio naturista o Homem sente-se em forma consigo mesmo, com os outros e com a Natureza. No Naturismo aceitamos a nossa forma física sem recorrer a modelos ideais. A imagem, é a imagem natural, de corpo inteiro, sabendo aceitar o que o tempo escreve no corpo ao longo da vida. Preocupamo-nos racionalmente com o corpo. Sem excessos nem obsessões. De forma equilibrada, saudável e sem sujeição a tiranias e mutilações, salvaguardando apenas o bem estar físico e o equilíbrio com a psique. Procuramos harmonizar o prazer e a saúde. O nosso em forma assume a forma da vida. Do bem estar. Do prazer de viver. Celebramo-lo com a natureza criadora, partilhando a nossa nudez com o meio ambiente natural. Captamos dessa partilha uma energia positiva. No entrosamento da nossa natureza física com a acção dos outros elementos naturais. Sentimo-nos, assim, mais vivos. Mais em forma. No prazer de viver e conviver...Naturalmente Nus.

"O Naturismo dirige-se ao Homem na sua totalidade - alma, espírito e corpo - preocupando-se não só com o cuidado físico, mas igualmente com o desenvolvimento cultural, tendo como meta um elevado nível psíco-social" (Wolfgang Weinreich, actual presidente da INF/FNI).



Certamente que ninguém se improvisa naturista de um dia para o outro. Contudo, o Naturismo é qualquer coisa que se faz transportar "clandestinamente" dentro de nós próprios, não existindo uma idade determinada para se revelar. Ela poderá acontecer a qualquer momento. Quem já não sentiu vontade de se despir em algum lugar - numa praia, num lago, numa montanha, num rio, num campo verdejante ou salpicado de flores, numa floresta ou, até mesmo em casa, na lida diária? Quem já não sentiu necessidade de se evadir da cidade, da confusão do trânsito, da poluição, do stess, do relógio, do tempo passado a correr entre a casa, o emprego e o centro comercial? Os naturistas não desapreciam a comodidade e o bem estar material e todas as facilidades do mundo moderno, mas recusam que elas constituam o único objectivo das suas vidas. Os naturistas preferem, antes, integrar de forma inteligente, o desenvolvimento material na sua filosofia interna e por isso humanizada, sem esquecer a sua natureza física, despojada de máscaras, e enquadrá-las de forma equilibrada e harmoniosa no conjunto mais vasto que constitui a natureza do planeta que habitamos.
Libertar esse espírito é redescobrirmo-nos a nós próprios.

"O Naturismo precisa de todos os homens e mulheres que recusam não só a timidez, mas sobretudo a ignorância, o sexismo, o exibicionismo, a intolerância, a hipocrisia da moral vigente.
O Naturismo precisa de todos aqueles que, sem "vergonha" de si mesmos, se batem pela liberdade, pelos direitos humanos, pela defesa do meio ambiente e preservação da Natureza. (Laurindo Correia, presidente da FPN)

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